segunda-feira, 8 de maio de 2017

Nacional: A queda de um mito

Nacional terminou I Liga em 4.º lugar por duas vezes
É com algum lamento que assisto à despromoção do Nacional à II Liga. Era daqueles clubes que se davam como certos por muitos e bons anos no patamar maior do futebol português, por onde permaneceu por 15 anos interruptos e, nos 14 anteriores, a salvo de qualquer sobressalto.

O emblema insular é um fenómeno recente – apareceu na I Divisão no final da década de 1980/início da de 1990 e reapareceu em 2002/03 -, mas já conquistou, com toda a certeza, o estatuto de histórico dos relvados nacionais.

Afinal, conseguiu cinco qualificações europeias e terminou no Top10 em onze destas últimas quinze temporadas. Mesmo perante um Braga a assumir o papel de quarto grande, alcançou o 4.º lugar em 2003/04 e 2008/09, com Casemiro Mior e Manuel Machado ao leme, respetivamente. Menções honrosas para a 5ª posição de 2005/06 e 2013/14 (ambas com Machado) e a 6ª de 2010/11 (Jokanovic/Ivo Vieira).


A um clube que animou o inicio do século em Portugal, faltou a presença numa final. E esteve bem perto de acontecer por quatro ocasiões. Os alvinegros caíram nas meias-finais da Taça de Portugal em 2008/09, 2011/12 e 2014/15 e na da Taça da Liga em 2010/11. Uma falha no palmarés encoberta por uma gracinha europeia, ao eliminar o Zenit da Liga Europa em 2009/10.


Choupana mágica

Mesmo sem uma falange de apoio numerosa, o Nacional tirou proveito do fator casa como poucas equipas na I Liga. Nevoeiro à parte, a mítica Choupana serviu de autêntica fortaleza aos madeirenses.  Em 2003/04, os nacionalistas terminaram o campeonato com o melhor ataque caseiro da prova, com 43 golos em 17 jornadas (média de 2,53 por jogo), mais quatro do que o FC Porto de… José Mourinho. Nessa época, nenhum dos três grandes passou no Estádio da Madeira, anteriormente denominado Estádio Engenheiro Rui Alves. Apenas duas derrotas, as mesmas de 2008/09, 2009/10 e 2013/14. Em 2002/03, 2005/06 e 2014/15, foram somente três. Números de equipa poderosa.

Naquela que era considerada uma das deslocações mais difíceis durante as temporadas dos derradeiros 15 anos, o Benfica saiu de lá quatro vezes com a derrota (empatou duas), o Sporting três (empatou oito) e o FC Porto duas (três empates). Os leões, inclusivamente, estiveram quase seis anos sem vencer na Choupana, entre setembro de 2006 e abril de 2012.

E se contabilizarmos os jogos dos madeirenses nos terrenos dos três grandes, também se encontram feitos assinaláveis, como o encontro que ditou a derrota mais pesada de sempre dos portistas no Estádio do Dragão (0-4), em 2004/05. Um feito quase repetido três anos mais tarde (0-3).


Um conjunto de jogadores que impõe respeito

Um Bola de Prata

Em década e meia, passaram pelo Nacional alguns jogadores com registo assinalável. O feito mais visível foi do brasileiro Nenê, em 2008/09, que com 20 golos apontados conquistou a Bola de Prata, o troféu de melhor marcador da I Liga. Depois, saiu para os italianos do Cagliari.

Adriano também esteve perto de ser o máximo artilheiro do campeonato português em 2003/04, mas os 19 tentos foram insuficientes. Ficou a um de Benny McCarthy (FC Porto), que levou o galardão, mas viria a dar o salto para os dragões dois anos depois.

Mais recentemente, em 2014/15, Marco Matias faturou por 17 vezes na I Liga. O melhor registo de um português desde 2002/03, quando Simão (Benfica) rematou certeiro por 18 ocasiões. Posteriormente, transferiu-se para os ingleses do Sheffield Wednesday.

Mas não foram só goleadores que passaram pela Choupana. Quem não se lembra do guarda-redes internacional suíço Diego Benaglio? Ou do pontapé-canhão de Rossato? Ou de ter sido por essa porta que Paulo Assunção entrou no futebol português? E de Fábio Coentrão, Neto, Lucas João e Rúben Micael por lá terem passado antes de chegarem à Seleção Nacional? 

São memórias de quem tão depressa não se vai esquecer de um clube que animou (e de que maneira!) a última década e meia do futebol português, servindo de carrasco aos grandes e de montra para futebolistas de valor. Que seja apenas um “Até já”.









1 comentário:

  1. Volta depressa Nacional
    Pois o teu lugar e nos grandes.pois es grande
    Viva o Nacional da Madeirs

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